Esquilo Vermelho

Os Descobrimentos não foram período de boa memória para o esquilo vermelho em Portugal. Fenderam-se árvores porque estas seriam mais importantes como tábuas de caravelas do que como unidades florestais. Perdeu-se assim o suporte dos ninhos e a base alimentar deste roedor, que só recentemente voltou a ser notícia por cá.

O esquilo vermelho (cá vem esta coisa da praxe de ter de meter o seu nome ciêntífico também: Sciurus Vulgaris) sofre de um mal: não é exactamente vermelho, ou por outra, tanto poderá sê-lo como não. Será avermelhado, com alta probabilidade, nas zonas setentrionais europeias, mas não tanto quando se cheira o mediterrâneo. As suas tonalidades variam entre o castanho, o escarlate e o cinzento enegrecido – podendo mesmo cambiar com as cíclicas estações, estando as mais frias ligadas ao seu escurecimento. Peculiares são os fios de cabelo espetado que crescem em cada orelha durante o Outono que o distinguem de primos confundíveis.

Mais homogéneo será o seu porte que se situa perto do palmo de altura, com cauda ligeiramente mais curta mas tão felpuda que cremos ser maior do que é. Servirá ela como equilibradora no limbo constante em que se movimenta, pulando por ramos e galhos e paredes, e com o bónus de poder virar manta nos meses menos quentes.

Em Portugal, foram-se instalando por empurrão da natureza, no noroeste do país, mais que tudo no Gerês, vindos das zonas do costume: Galiza, Leão, Astúrias… E mais no sul, além das inevitáveis transumâncias, houve ainda ajuda humana, tendo sido introduzidos em Coimbra e em Lisboa, mais concretamente no Parque de Monsanto. Não conhecendo os animais as fronteiras de cada parque, poderão eventualmente ser observados noutro lado.

Eu, infelizmente, nunca vi cá um. Todo o esquilo vermelho que apanhei tinha bilhete de intentidade de fora, mas eles andam cá, para qualquer câmara que tenha a sorte rápida de o apanhar.

Alimentam um gosto especial por frutos cónicos, como os dados pelos pinhais que por aí andam, mas vão a outras dietas menos óbvias, se o prato principal escassear. Minhocas ou fungos, por exemplo, passam bem por alternativa. Ovos por outra. Flores também. O que se apanhar de vegetação rasa poderá servir para forrar estômago.

Uma das suas características é a apetência para a conservação dos alimentos. Fazem do chão uma espécie de dispensa onde armazenam comida para o porvir. Por vezes, acontece esconderem sementes de pinha no subsolo e esquecerem-se de lá voltar para desenterrá-las, o que acaba por os tranformar em jardineiros involuntários. Uma outra, é o ritual de cortejo: uma fêmea dá origem a uma comitiva de machos que se esgrimem entre eles, tudo para captar a atenção da primeira.

 Actualmente há uma página de Facebook que ajuda a perceber até onde se espalha o esquilo vermelho em território português. Parece que entre o centro e o norte, já não é assim tão invulgar fisgar um. Se tal for feito, dêem uma ajudinha fotográfica a este canal.

Comentários

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.