Dólmen do Espírito Santo de Arca

Também conhecida localmente por Pedra d’Arca, o Dólmen de Arca foi cristianizado até no nome, onde lhe impuseram um Espírito Santo eclesiástico como apelido. É o mais importante monumento megalítico da Serra do Caramulo e seguramente um dos mais famosos da Beira Alta.

Uma anta onde todas as noites de São João se senta uma moira encantada, e que dali brinca com o destino dos homens que lá passam

O Dólmen

O tempo fez com que hoje fosse composto de apenas três esteios verticais – os restantes, quebrados, ainda por lá deixaram vestígios. No total, deveriam ser sete, o número mágico e aquele que é mais usado na construção da câmara de muitas antas.

A distingui-la, observamos que uma das pedras que funciona como pilar está visivelmente inclinada. Mais do que é normal. Em cima, a pedra que serve de tampa, que conta com quatro metros de comprimento.

Do corredor já quase nada se nota. E a mamoa desapareceu com a dureza dos elementos. Ficou assim escancarada aos olhos de quem lá passa, bem altiva, fazendo mais de duas pessoas em altura, tornando-se fácil a passagem pelo seu interior, como se se tratasse de um simples túnel de granito.

Há quem saliente as parecenças do Dólmen de Arca com outros mais a nordeste, na província de Trás-os-Montes.

A Lenda do Dólmen de Arca

Dizem que quem construiu o Dólmen foi uma moira encantada – não confundir com uma moura sarracena, normalmente adoptada posteriormente em algumas lendas como forma de absorver este ser mitológico num novo contexto histórico. Segundo a lenda, a laje que passa por telhado foi transportada na cabeça dela, enquanto fiava uma roca com uma mão e transportava um bebé com outra.

A roca, já falámos, é o elemento que mais é associado às moiras, tendo como tradução as voltas da vida, e colocando assim estas mulheres místicas como Deusas do destino. Já o recém-nascido que carrega é uma adição estranha, que não acontece tão frequentemente, e adensa um pouco a neblina sobre os significados ocultos deste activo da tradição oral.

Os locais acreditavam que todas as noites de São João, isto é, todas as noites de solstício de Verão, essa mesma moira encantada se sentava no topo do Dólmen a fiar, tendo à sua volta vários objectos de ouro. À passagem de cada homem, a moira perguntava de que gostava o passageiro mais, dos seus olhos ou do seu ouro. Ávida, a maioria escolhia o ouro, transformando-se em cinza por vingança da moira assim que a escolha era feita. Novamente, o duelo entre alma e matéria, com representação nos olhos e no oiro, respectivamente.

Onde ficar

Situadas na zona oeste da Serra do Caramulo, envolvidas de florestas de pinheiros e eucaliptos, as Casas do Espigueiro (foto em baixo) – assim chamadas pelos dois espigueiros que se encontram por lá – oferecem três moradias T1 e uma T2, todas construídas em xisto e granito, e duas piscinas comuns com água devidamente tratada por eletrólise de sal.

Conta ainda com um pequeno bar e loja com produtos regionais. Há ainda uma horta que abastece os visitantes.

Casas do Espigueiro

Mapa e Coordenadas de GPS: lat=40.607659 ; lon=-8.213525

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.