Corridinho

O Corridinho é uma dança tradicional algarvia (embora também tenha contaminado o Alentejo e, até certa parte, o Ribatejo e a Estremadura), e ao contrário de outros folclores mais setentrionais como a chula e o vira, tem origem relativamente recente. Nasce enquanto dança de corte, do homem para a mulher. Tratava-se assim de um bailado de engate, inicialmente ao sabor da harmónica, e mais tarde ao do acordeão, instrumento europeu que começou a ser tocado e difundido nesta província que limita o sul de Portugal no final do séxulo XIX.

Consta-se que o Corridinho descende das polkas do oeste europeu, canções que tinham como mote meter o povo a bailar, e que reinterpretações regionais ao longo do tempo – onde podem ter entrado influências do fado, de música tradicional escocesa, do vira ou da chula – foram transformando estas composições até terminarem neste género musical que associamos às festas populares e de bailarico do Algarve. O Corridinho, diga-se, foi-se reinventando também, sobretudo ao nível da coreografia, hoje bem mais complexa que a original.

Trata-se de uma dança de pares, em que as várias parelhas acabam por formar um círculo, e onde homem e mulher bailam agarrados às ordens do mandador, que dá as instruções cá de fora. A música, por vezes, vai aumentando de intensidade e de ritmo, são os repicos, que aceleram movimentos e galvanizam o público. Entretanto a roda pára, e cada par, à vez, tem direito a uma performance única, em que normalmente o homem abraça a sua companheira e, de chapéu levantado no ar e pose de galanteio, gira-a sobre si próprio, em movimentos que a sabedoria passou a tratar por escovinhas, nos quais a mulher, habitualmente, tem a perna levantada até à anca do seu parceiro. Estas danças individuais dão intervalo à dança conjunta que vai girando sempre para a direita. Há, no entanto, várias variações a este tipo de estrutura coreográfica, sendo a mais conhecida um tipo onde os bailarinos vão fazendo fundos antes e depois de formada a roda.

Alguns autores, como José Alberto Sardinha, que é de resto uma autoridade na matéria, não abdicam de associar o Corridinho ao fado corrido. Esta ligação é sublinhada por vários estudiosos e, até, por alguns tocadores.

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.