Cornos das Alturas

Os Cornos das Alturas são dois montes que, ao longe, e de certa perspectiva, se parecem com dois cornos. As alturas com que alcunham aquele par de cerros vêm de um nome antigo que davam ao planalto barrosão: chamavam-lhe as Alturas do Barroso – nome da aldeia que lá se fixou também – ou Serra das Alturas, conhecida também como Serra do Barroso. Já a parte dos cornos, vem de invenção popular, um saber sempre criativo que ao olhar para ali, com a distância de uns poucos quilómetros, viu dois chifres a apontar para o céu. Como a cabeça de um diabo a sair do fundo da terra.

É um par de cornos que não faz mal a ninguém. Vêmo-lo de certa perspectiva, em Terras do Barroso, e o povo chamou-o de Cornos das Alturas.

Uma paisagem cornuda

A melhor forma de observar os Cornos das Alturas é de norte. Quando o Rio Rabagão, por imposição da barragem, estanca numa enorme lagoa. Do outro lado do lago, se as nuvens não bloquearem a visão, temos uma alargada vista sobre os dois cabeços, com o Rabagão a dar-lhes um sereno espelho à frente.

É composto por dois cotos, o Coto dos Corvos e o Coto do Sudro, ambos com altitude superior aos 1200 metros. São morros de pouca vegetação, dada a altitude e o impulso abrupto com que nascem do planalto. Por aquelas paragens, moram silvado e pedra, muita pedra. Em ambos foram encontrados vestígios da cultura castreja nortenha, o que os deixa bem dentro da história da região. Entre eles passeia-se um suave vale que a humidade, dependendo da estação, pinta de verde, e onde alguns bovinos aproveitam para se aprovisionar.

Com sorte, no Inverno, quando o mercúrio dos termómetros vem por aí abaixo, a neve toma conta dos Cotos, muitas vezes deixando o resto do planalto a contrastar com cores secas. Conseguimos ver os cornos como eles realmente são nos animais de gado: brancos e altos, destacados da castanha terra.

Os Cornos das Alturas em canção

Como curiosidade, e também como forma de mostrar que esta tela onde a natureza brincou ainda está presente na memória de novas gerações, anote-se um apontamento melómano.

O trio Urze de Lume, que faz caminho na composição de canções originais de inspiração transmontana, pegou nas suas armas do costume (percussões e gaita mirandesa) para escrever um tema inspirado nos Cornos das Alturas.

Onde ficar

Um poiso chamado Casas Avelã Brava (foto em baixo) encontra-se na pequena península onde pontifica a aldeia de Negrões, à beira da Albufeira do Rio Rabagão, poucos quilómetros a nordeste dos Cornos das Alturas. Foi uma antiga eira, sítio de convívio popular.

À sua volta vemos as pedregosas serras do Barroso, do Gerês às Alturas. A poucos passos há praia fluvial se a visita se fizer no Verão. Uma multifacetada casa, preparada para as temperaturas extremas que aqui se vivem – sejam elas frias ou quentes.

Têm um interessantíssimo blogue com actualizações relativamente regulares e estacionais sobre o que se vai passando na saudável pacatez de Negrões.

Casas Avelã Brava

Mapa e Coordenadas de GPS: lat=41.711808 ; lon=-7.829425

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.