Choco Frito à Setubalense

Setúbal não é só choco frito, mas quase todo o choco frito é Setúbal. Está para a cidade como as bifanas para Vendas Novas. O Choco Frito à Setubalense deixou de ser apenas um prato tradicional da antiga Cetóbriga. É um postal da cidade.

Um molusco que vem de longe pára-nos no prato junto ao Sado. A zona da ribeira sadina não seria a mesma sem o Choco Frito à Moda de Setúbal.

O prato da Avenida Luísa Todi

A principal artéria da cidade de Setúbal tem o nome da mais famosa cantora que de lá saiu: Luísa Todi. Mal sabia ela que hoje, quando falamos na avenida à qual deu nome, ao invés de nos lembrarmos de ópera, nos vem à cabeça outra coisa, em nada relacionada: um invulgar animal que se passeia por águas longínquas chamado choco.

São vários os restaurantes que se alinham, quase como se tivessem combinado, ao longo desta via que segue lado a lado com o Rio Sado, tendo como mote o Choco Frito à moda da terra. O mais famoso deles todos é a Casa Santiago, mais conhecido por Rei do Choco Frito (ver imagem em baixo). Além destes, à vista de qualquer pessoa que passeie pela zona ribeirinha de Setúbal, há mais outros que se repartem em ruas perpendiculares e paralelas a ela, como é o caso da Rua das Fontaínhas (o restaurante Poço, bem como a Casa do Lagarto, são muito recomendáveis).

A vasta maioria destas casas de pasto tem uma aparência bastante modesta. São espaços simples, de esplanadas abertas ou protegias por vidros altos, com mesas e cadeiras que cumprem as funções a que se prestam, e decoração residual (há excepções, como o recente Museu do Choco, de look mais cuidado, ao qual não posso fazer comentário preciso por nunca lá ter comido). Mas se não nos deixarmos levar pelo aspecto da capa seremos bem compensados, mais tarde, pelo teor do livro, como acontece com qualquer bom tasco português.

Todos eles terão a sua maneira própria de fritar o choco, embora quase todos obedeçam à mesma matriz: e, principalmente, à escolha da origem do choco, que vem de longe, sobretudo do Índico ou das águas gélidas do Mar do Norte, de onde vem também grande parte do nosso bacalhau. Esta obsessão com a proveniência é, segundo a gente que o cozinha em condições, o maior segredo para chegar ao prato com o sabor especial que deve ter.

Na Avenida Luísa Todi, em Setúbal, a Casa Santiago, mais conhecida por Rei do Choco Frito, é o mais famoso restaurante a servir Choco à Moda de Setúbal

Receita do Choco Frito à Setubalense

Havendo bom choco, isto é, pulposo, com substância, o trabalho restante é garantir que não se estraga o seu potencial sabor, e que o acompanhamento se fique pelo básico, dando toda a primazia ao molusco.

Tendo em mãos o choco por inteiro, a primeira coisa a fazer é retirar-lhe a cabeça e limpá-lo bem, e só depois de lhe retirarmos pele e cartilagens podemos começar a cortá-lo – em alternativa podemos comprar o choco já amanhado e em tiras. Estes pequenos pedaços longitudinais deverão ser depois postas a marinar, durante uma ou duas horas, em conjunto com sumo de limão, sal, e malagueta (há quem acrescente louro).

À parte, misture-se numa tigela farinha de milho com pimenta e sal fino. Por esta mistura devem passar os chocos, depois de marinados e bem escorridos, antes de serem fritos em óleo. Escorridos devem ser novamente após a fritura, com a ajuda de papel. Estão prontos a ser comidos, no meu caso, por gosto pessoal, com bastante limão espremido como cobertura. Fazem-se acompanhar de batata frita e salada ou mesmo só de salada para evitarmos duplicar os fritos no prato.

Coisa simples e boa.

Onde Ficar

A três passos da Avenida Luísa Todi, com toda a oferta de restauração que lá mora, a Rio Art Guesthouse mostra-se como perfeita solução, não só pela localização como também pelo preço. São 23 quartos que respeitaram a arquitectura local e que funcionam como galerias de arte com obras exclusivas da artista Ana Curto.

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.