Cavaquinho

O Cavaquinho, sabemos hoje, não é só minhoto, nem sequer só português. Ele começou aqui, no Noroeste ibérico, província a que hoje damos o nome de Minho, mas foi à descoberta para lá do Atlântico com toda a emigração portuguesa que procurou sonhos sul-americanos, e esteve assim na origem das Rodas de Choro brasileiras, depois migrando para o Havai adoptando a alcunha de ukelele, instrumento que já foi usado por vários compositores pop e rock mundialmente conhecidos. Quem diria que um cordofone tão simples e tão humilde, tocado por solistas nos arraiais das freguesias de Viana do Castelo, fosse um dia parar às mãos de um Eddie Vedder, célebre vocalista e guitarrista da banda grunge mais famosa do mundo. Entre a rota Portugal-Brasil, houve tempo para conquistar a Madeira, aí chamado Braguinha, e em Cabo Verde.

Não há uma resposta para a pergunta: como se toca o cavaquinho? Tal como a viola, tem muitos tipos de afinação, variando de país para país, e no nosso Minho é normalmente tocado em rasgado, forma de tocar que conjuga ritmo e melodia e harmonia com a ajuda do polegar, a técnica possível para quem o toca em pé, como se fazia nas eiras minhotas. Júlio Pereira celebrizou esta forma e este instrumento quando em 1982 lançou o disco “Cavaquinho”, um sucesso estrondoso em Portugal, ao ponto de dar pinta a um objecto que era tido pelas gentes mais urbanas como parolo e provinciano.

Amadeu Magalhães, compositor e reputado tocador de cavaquinho português, afirma que, inicialmente, a função dele era a de instrumento da frente, de solista, a estrela do grupo – a fazer jus à expressão “onde vai a viola, vai sempre um cavaquinho”. Com o aparecimento da concertina como acompanhante das festas populares, deu-se uma quebra no protagonismo deste pequeníssimo cordofone, passando este para a função rítmica, estendendo o tapete aos solos dos acordeões.

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.