Castro de Tintinolho

Já pouco dele sobra, mas a vista do Castro de Tintinolho mantém-se fenomenal. E de lá conseguimos imaginar como foi difícil, para Roma, anexar estes territórios montanhosos ao seu império.

O amplo castro lusitano dissolve-se no monte de Tintinolho. Restos de uma época onde tribos ibéricas lutavam contra a força de um grande império usando a melhor sua melhor arma: a natureza.

É um forte, tão forte quanto a Guarda

A força da cidade da Guarda é coisa que ainda hoje se fala. Os que mais a gabam entregam-lhe cinco F’s: forte, farta, fria, fiel e formosa. De todos os adjectivos, não desfazendo, creio ser forte aquele que mais se adapta ao carácter embrutecido desta terra máxima da Beira Alta.

De facto, desde que este território avançou até à fase em que por cá se instalaram tribos provavelmente indo-europeias, nunca foi fácil tornar incursões de cariz militar bem sucedidas por aqui. Os que defendiam estes burgos estavam quase sempre em clara vantagem. Um relevo acidentado, que conheciam como as próprias mãos, dava-lhes a altura necessária para combater os seus inimigos de cima para baixo.

E é esse o contexto geográfico do Castro de Tintinolho. Mais um bastião das alturas, que mesmo um império que atravessava continentes teve dificuldade em juntar à sua colecção de províncias.

Acabou por ceder, como toda a Ibéria, e foi adaptado à nova ordem romana, como se comprova pela calçada de pedra chata que por lá passa, ultimamente adoptada como percurso pedestre. Mais tarde, Visigodos ainda o aproveitaram, e mesmo em alturas medievais não foi esquecido, vincando a sua posição estratégica.

Um castro apodera-se de um cerro, junto à cidade da Guarda

O Castro de Tintinolho hoje

Da Idade do Ferro até aos tempos modernos, muito tempo tiveram os elementos para ir aparando o Castro de Tintinolho até ficar no estado em que está hoje.

Uma das três muralhas, ainda assim, é bem visível, mesmo de largas distâncias. As paredes concêntricas que estruturam a fortificação são intercaladas por alguns blocos graníticos naturais, numa mistura de obra humana e natural. Esboços das casas construídas no interior do castro dão a ideia de estarmos perante habitação de planta ora circular, ora quadrangular. Esta formatação parece fundir culturas: a dos castros galaicos, no norte português, conhecida genericamente por castreja, com habitações de planta circular, e a de outros mais a sul, de planta quadrangular, como o já aqui falado Castro de São Miguel, na Beira Baixa.

Um pequeno curso de água brota daqui, fazendo o seu caminho encosta abaixo, até ao vale do Rio Mondego, que se encontra imediatamente a Oeste. Facilitaria a vida de quem cá vivia, dando água ao povo, à terra, e ao gado.

Uma subida ao monte onde o Castro de Tintinolho se encontra é sempre recomendável, apesar da sua ruína. A beleza ampla que se consegue ver do seu cume é notável. Pegue-se pois no percurso que faz uso da via romana, iniciado na actual Nacional 16. O trilho, circular, é curto, mas inclinado que baste, só parando acima dos 900 metros de altitude. No Inverno, é até possível que a neve surpreenda.

Onde ficar

A grande vantagem de uma visita ao Castro de Tintinolho é a sua proximidade à cidade da Guarda – o que separa um sítio do outro não chega sequer aos cinco quilómetros. E por isso, estamos salvos pela oferta hoteleira desta capital de distrito.

O Hotel Santos (foto em baixo), edifício de granito a poucos passos do Largo da Sé, oferece bom serviço a preço competitivo. Quartos com televisão por cabo, casa de banho privativa, e wi-fi gratuito. O pequeno-almoço está incluído na tarifa do quarto e é servido todas as manhãs.

Vários restaurantes locais estão disponíveis a cerca de 5 minutos a pé, no centro da cidade, entre os quais o muito recomendável Belo Horizonte e a já histórica Taberna do Benfica.

Hotel Santos, na Guarda

Mapa e Coordenadas de GPS: lat=40.572828 ; lon=-7.286516

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.