Castro de Curalha

Na zona do concelho de Chaves, sensivelmente a 1 km da aldeia de Curalha, encontra-se um monte rochoso a 400 metros de altitude que se eleva sobre o rio Tâmega. Neste monte encontra-se o Castro de Curalha, um castro pré-romano cujas ruínas subsistem em bom estado de conservação, sendo o fortificado ainda perfeitamente visível e emoldurado pela vista magnífica que o monte proporciona da aldeia, do rio Tâmega e da paisagem verdejante em redor.

Com um perímetro de 240 metros, o Castro de Curalha está rodeado por três muralhas ainda existentes com alturas entre os 3 e os 5 metros, pensando-se que havia três entradas de acesso no passado. Como é comum nos castros da antiga Gallaecia, pensa-se que tem uma origem pré-romana que remonta ao séc. VIII a. C. No entanto, ocupações subsequentes ocorreram, provavelmente até ao séc. II ou III, possivelmente pelos romanos ou até mesmo pelos visigodos, visto que é notória a reconstrução das estruturas dos edifícios de habitação, com a particularidade de estes se diferenciarem da estrutura comum circular dos edifícios na cultura castreja e apresentarem uma forma quadrada. As muralhas formam no entanto o típico fortificado circular no topo de um monte que é comum à maior parte dos castros.

Associada ao Castro de Curalha está também uma lenda na região, que conta que o castro está ligado através de uma mina a um local chamado Muro, onde estão enterrados um lagar de ouro e outro de pestilência. Diz-se que quem encontrar um ficará rico, e quem encontrar o outro espalhará doença e miséria pela região. Devido à procura pelos lagares, é dito que, há muitos anos atrás, havia um cristão que vivia no castro e que estava enamorado por uma moura, e costumava encontrá-la na mina, mas foram um dia apanhados por quem buscava o lagar de ouro. Os amantes nunca mais se puderam encontrar devido a isso, e há quem diga que ainda se pode ouvir no monte do castro os lamentos da moura. Diz-se ainda que se encontrou realmente um lagar uma vez, mas era o da peste, e que é devido a isso que a aldeia de Curalha é pobre.

Lendas e superstições, que mantém vivo o espírito de um local do nosso passado, que assim se mantém no presente não só pelas suas ruínas ainda intactas, mas pela presença no imaginário do povo.

Coordenadas GPS: lat=41.709388 ; lon=-7.528061

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Investigador da Universidade Nova de Lisboa nos âmbitos de literatura medieval, culturas e mitologias europeias.

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