Capela da Boa Nova

Imediatamente a norte da Casa de Chá da Boa Nova, referência arquitectónica (e gastronómica) vinda da cabeça de Siza Vieira, há a Capela da Boa Nova, uma pequena ermida que enche o peito para o mar.

Uma capela de esperança para os pescadores do norte, logo ao lado de uma obra-prima de Siza Vieira

Capela de São Clemente

Popularmente conhecida como Capela da Boa Nova, poucos sabem do seu outro nome: a Capela de São Clemente das Penhas.

A âncora, em forma de cruz, de São Clemente, "santo dos mares"Ambas as designações dizem bastante dela: uma fala da boa nova, possivelmente o sentimento que vinha à memória dos pescadores quando a visão da capela dava a boa notícia de se ter avistado terra; a outra das penhas, enunciando as rochas de onde sobe, e atribuindo um santo a estes afloramentos naturais, um velho costume católico de santificar a natureza.

Nesse aspecto, assemelha-se a um outro monumento que desafia o mar, não muito longe dali, a Capela do Senhor da Pedra, em Miramar. Tornam-se quase simétricos, um com nomenclatura masculina, a sul, o outro com nomenclatura feminina, a norte, estando a cidade do Porto entre ambos.

O interior é de nave única, e com retábulo de três figuras policromadas: a Senhora da Boa Nova, São João Baptista, e São Clemente.

É relevante esta associação de São Clemente a uma ermida que se situa a dois passos do Atlântico, tendo em conta que este santo foi morto no mar, com uma âncora atada ao seu pescoço. A âncora em forma de cruz (ver foto) ficou sempre ligada a ele, enquanto símbolo que recordava a sua morte e, também, enquanto ídolo protector dos marinheiros. São Clemente, tal como acontece com São Bartolomeu, por exemplo, veio assim substituir antigas deidades dos mares e a âncora que traz consigo é muitas vezes mensageira da esperança, ou, neste caso, da boa nova.

Não é de estranhar, portanto, que a Capela de São Clemente seja particularmente venerada pelos homens do mar de Leça da Palmeira.

Uma ermida que enfrenta o mar destaca-se em Leça da Palmeira

História da Capela da Boa Nova

A capela que vemos hoje, ao que tudo indica, é uma sobra de um eremitério maior, habitado por monges franciscanos, e construído no século XIV. A deslocação da ordem para um outro convento, o da Nossa Senhora da Conceição, fez com que a Boa Hora fosse ficando com parte dos seus edifícios sem utilidade.

Foi-se assim destruindo parte do antigo eremitério até ficar apenas a capela, provavelmente porque os locais nunca deixaram de ter naquele cabo do mundo uma forma de celebrar o Divino, nomeadamente os leceiros ligados à pesca, pedindo aqui protecção para os riscos que as suas vidas na faina traziam.

A capela foi mantendo-se, bem ou mal, com os anos, sofrendo do habitual culto popular aos fins da terra, e no século XX acabou por ter um vizinho inesperado, a Casa de Chá da Boa Nova, desenhada por Siza Vieira, e hoje considerada monumento nacional.

A Casa de Chá da Boa Nova chamou novos olhos para a capela homónima e muito recentemente a ermida foi requalificada tendo hoje nova cara.

Mapa e Coordenadas de GPS: lat=41.20348 ; lon=-8.71573

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.