Cantarinha dos Namorados

Cantarinha dos Namorados é o nome mais comum, mas acrescentem-se outros dois: Cantarinha das Prendas e Cantarinha de Guimarães.

Qualquer um deles é válido porque qualquer um deles explica, em parte, o que isto é. O primeiro diz-nos que é um presente partilhado entre namorados, o segundo que nela se deverão acumular presentes, e o terceiro que é originária dessa intemporal cidade minhota.

Está à vista de poucos, mas conseguimos espreitá-la ao longe: uma Cantarinha dos Namorados de trinta e cinco centímetros no topo de um telhado vimaranenseA tradição conta que um rapaz deveria oferecer esta jarra à sua moçoila como forma de pedido de casamento. Se a cantarinha fosse recusada, significava que a namorada tinha rejeitado o pedido, vulgo, dado uma tampa, podendo em situações extremas parti-la. Se a cantarinha fosse aceite, o noivado era anunciado – não sem antes haver aceitação dos pais da noiva, um hábito de outros tempos que hoje é praticamente inexistente. A partir desse momento, anunciado o noivado, e consequentemente o casamento, a cantarinha passaria a assumir uma outra função: a de baú, onde se começariam a guardar os presentes dados aos noivos, alguns em ouro, outros de valor mais simbólico, havendo ainda uma hipótese de lá se colocarem rifas, pedaços de papel que representavam determinada prenda para o novo casal.

Além do seu significado enquanto objecto casamenteiro, que é o seu atributo magno, a Cantarinha dos Namorados não deixa de ser um produto oleiro de excelência no que toca ao artesanato português. Feita em barro vermelho cozido por sete horas, e ornamentada com pequenos floreados de mica esmigalhada, há uma elegância inegável ao olharmos para ela, e percebemos o porquê de fazer derreter as meninas que recebiam tal artefacto nas mãos.

É composta por três partes: a cantarinha da base, claramente maior, representando a prosperidade do casal; a cantarinha que se sobrepõe a essa, visivelmente mais pequena, simbolizando os problemas que qualquer par de noivos ou casados tem de enfrentar; e por fim, o remate é feito com um pássaro, que alguns dizem ser o guarda-segredos da relação. Não deixa de ser optimista ver que a cantarinha que encarna o bom de um casamento é de dimensão francamente maior do que aquela que acolhe o lado mau.

Em Guimarães, recomenda-se uma ida à loja d’A Oficina, no seu centro histórico, próxima do Largo da Misericórdia, onde se encontram em exposição cantarinhas já feitas e outras futuras cantarinhas a fazerem-se. Cá fora, e à vista de poucos, ou antes, à vista apenas daqueles que sabem que ela existe, podemos ver um exemplar de uma Cantarinha dos Namorados no cimo do telhado da Casa dos Coutos.

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.