Caldo Verde

O Caldo Verde começou por ser, há coisa de quinhentos ou seiscentos anos atrás, uma sopa do norte de Portugal, muito apreciada junto da classe mais desfavorecida, que à época era praticamente toda a gente. Hoje, nacionalizou-se, e virou sopa de todo o lado e transversal a estatutos.

De qualquer forma, devemos ao Minho a sua existência, mais concretamente a Valença – apesar de haver uma pequena variação na Beira-Alta, em Viseu, embora tendo sempre por base a receita original.

Trata-se, em receita, da cozedura de batata e cebola e alho, depois batida e deixada em puré liquidificado com a ajuda de água. Depois de se voltar a ferver o caldo, junta-se couve-galega (também minhota) muito fina. No final, quando já preparada, adicionam-se azeite e uma ou duas rodelas de chouriço que ficam à tona, quase como decoração. Em Viseu, dá-se um retoque final com o acompanhamento de uma broa. Curto e simples, num bom exemplo de como os mais carenciados conseguiam fazer muito com pouco.

É mais que merecido o título que alguns lhe dão: a sopa popular. Com efeito, é rara a festa – seja ela de celebração a um santo, ou cíclica, ou de comemoração autárquica – que não tenha um estaminé atabalhoado a vender, entre outras provisões, um abrasivo caldo verde. Na verdade, escolhendo um tridente português para ter à mesa nestas ocasiões, diria que por unanimidade se chegava a este resultado: tinto, sardinha assada, e caldo verde, pela ordem que se quiser.

Em 2011 foi considerada uma das 7 Maravilhas Gastronómicas de Portugal.

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.