Burro Mirandês

O Burro Mirandês, como dá para perceber, é autóctone do planalto de Miranda do Douro, no Nordeste português. Aquilo que o distingue dos burros comuns é, mais que tudo o resto, a pelugem e o porte. Com efeito, em Miranda, os burros contam com uma camada de pelo comprido e grosso, de cor castanha escura (com excepção para as três manchas brancas que envolvem a boca e os olhos), preparando-o para o frio rigoroso do Planalto, parte da Terra Fria transmontana, onde popularmente se diz que há nove meses de Inverno para cada três meses de Inferno. É um animal robusto, com membros sólidos, tronco e cabeça fortes, quase a elevá-lo ao metro e meio de altura. As orelhas são compridas e também cobertas de pelo grosso e castanho. Alimenta-se de aveia e cevada e outros tipos de cereais. Usado principalmente como animal de carga, sofreu dos inevitáveis sinais dos tempos, e foi sendo substituído por máquinas nas economias agrícolas mirandesas.

Já convivi com eles por alguns minutos, em viagens anuais que faço aos arrabaldes de Miranda do Douro, Duas Igrejas, Sendim, e outras mais, e posso garantir que nunca vi um que não me fosse dócil. Guardados em pequenos quintais à beira das estradas que se alongam nas planuras secas do Planalto Mirandês, o burro, normalmente solto, aproxima-se do homem sem medo e normalmente à procura de companhia.

O facto de ter perdido o seu lado funcional, como meio de transporte, de carga, e de parceiro de trabalho nos campos agrícolas, é hoje uma ajuda ao turismo rural da região, sendo o passeio de burro uma forma de vender o estilo mirandês à antiga. Bem ou mal, sabe-se que a utilidade é fundamental na preservação desta raça, e os passeios são uma boa iniciativa para o tornar de novo útil no mercado.

Apesar de poderem viver até aos quarenta anos, o seu período fecundo é relativamente curto, e dura, grosso modo, dos seis aos quinze anos.

Em 2013, acabou em destaque na versão europeia do jornal NY Times, num artigo em que um jornalista resolveu colocar o Burro Mirandês como metáfora para os portugueses: tiveram, burro e homem, a sua importância, mas correm agora risco de desaparecer, e isso só não já aconteceu porque ambos ainda conseguem sobreviver à conta de subsídios vindos da União Europeia. Este não é um espaço político e portanto vamos abster-nos de julgar tal opinião.

Recentemente criou-se um festival que lhe é dedicado. Usando a arcaica língua mirandesa, deram-lhe o nome de L Burro i L Gueiteiro.

Comentários

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.