Bordaleira Serra da Estrela

Uma raça ovina que deambula em rebanhos relativamente pequenos na mais majestosa serra de Portugal dá pelo nome de Bordaleira Serra da Estrela. Policiada pelo olhar atento do cão Serra da Estrela, fizemos dela fonte dessa relíquia nacional que é o Queijo da Serra. E só por isso, que cá estejam muitos e bons anos.

Claro que a sua circunscrição não se limita às fronteiras da Estrela. Ultrapassa-a, sobretudo para o lado oeste, mas nunca fugindo dessa grande cadeia de montanhas, a Meseta, que acaba por distinguir culturas em Portugal (e em Espanha, já agora).

São ovelhas pretas ou brancas de pelagem, muito mais destas últimas do que daquelas primeiras, olhos grandes e rosto longo. E serão mais facilmente reconhecidas pelos cornos, nas fêmeas e nos machos, compridos e que avançam em forma de espiral, esbranquiçando à medida que chegam ao seu fim.

A sua mais conhecida apetência é a produção de leite (tem maior capacidade de o dar do que a maioria das outras raças autóctones do mediterrâneo) que será usado na produção do queijo mais famoso e cobiçado do país. No entanto, convém mencionar uma controvérsia que se tem manifestado nos últimos anos, a propósito do leite usado para a produção ser, muitas vezes, espanhol, ou seja, de outra origem que não o da Bordaleira Serra da Estrela, corrompendo assim o selo qualitativo do produto. Como alternativa ao seu emprego na produção láctea, a carne a que dá origem quando morta com idade inferior a um ano é igualmente muito procurada, sendo, tal como o queijo, de Denominação de Origem Protegida (DOP): o Borrego Serra da Estrela. E por fim a lã, embora já não com a importância de outros tempos.

Consta-se que terá sido pela primeira vez domesticada no Médio Oriente, e que a sua deslocação até à Península Ibérica – via Pirinéus ou via Estreito de Gibraltar – terá acontecido há cerca de 7000 anos ou eventualmente mais que isso.

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.