Azenhas do Mar

Antes era conhecida pelo número de azenhas – algumas ainda à vista de todos – que por ali existiam, numa de aproveitar a força das águas que ali batem, estando assim explicado o nome por que é conhecido hoje: Azenhas do Mar. Agora que a energia já não tem de ser feita de forma tão artesanal, a aldeia transformou-se num dos mais célebres postais turísticos portugueses, sobretudo nas fotografias tiradas do miradouro que existe na parte sul, de onde temos vista privilegiada para uma cascata de casario caiado que desemboca no Atlântico, segurado por uma alta arriba em forma de concha.

Estamos já na ponta norte do Parque Natural de Sintra. Ou seja, para quem vem das marginais que se prolongam de Lisboa até Cascais, já deixámos para trás vários poisos obrigatórios: as ventanias da Praia do Guincho, os mistérios do Cabo da Roca, a difícil e escondida Praia da Ursa, a pedregosa Praia da Adraga, e a amplitude magnífica da Praia Grande… Daqui para a frente (entenda-se: para norte), já só temos Magoito e a Vigia, e o parque encerra portas por aí.

Mas nas Azenhas o que espanta não será tanto a praia. Essa também existe, de vez em quando, quando a maré vem atrás e o permite. Quando cheia, cobre o areal, deixando apenas a piscina natural a descoberto.

O que espanta, dizia, é a singularidade daquele anfiteatro de casas que se ergue como pode, e só poderia da maneira que vemos, colado à rocha, pedra a pedra, quase em risco de desmoronar. No seu sopé corre um pequeno ribeiro que é no fim manipulado por uma das azenhas sobreviventes, antes de chegar ao mar. Os caminhos por lá fazem-se maioritariamente através de escadas, porque assim tem de ser, qualquer outra via teria forte combate com a inclinação a pique que aqui se faz sentir.

As Azenhas do Mar não se limitam àquele enquadramento que a Natureza escavou e onde o homem, geometricamente, se deixou encaixar. Vai para lá disso, mas essa outra parte tem menos que se lhe diga. Na verdade, parece que o resto das Azenhas são expansões concêntricas feitas à volta deste seu núcleo máximo. Vivendas que, por falta de espaço, se espalharam pela falésia quando esta se torna mais estável.

Seria de estranhar passarmos por sítio sintrense sem dar um aconchego ao lado misterioso da coisa. Pois cá vamos. Nas Azenhas do Mar, é conhecida a vivenda que dá pelo nome de Casal das Três Marias, casa assombrada onde viviam as tais três Marias e a sua mãe, essa uma pessoa estranha que trouxe um espírito para a casa e que, contam os mais medrosos, ainda hoje está na origem de certos ruídos estranhos vindos de lá.

Mapa e Coordenadas de GPS: lat=38.840709 ; lon=-9.461887

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Comentários

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Um tipo que não desiste de dar a conhecer aos portugueses um país que eles mal conhecem: Portugal.