4 TRADIÇÕES PORTUGUESAS ANTERIORES AO HALLOWEEN AMERICANO

O Halloween é olhado, por muito bom português, com a desconfiança característica com que se olha para qualquer coisa que venha de fora, ainda para mais tendo em conta que a sua origem é, aparentemente, americana. Como já aqui foi falado em vários textos (os quais serão abreviados em baixo, com ligações para os artigos completos para mais informações), a questão de identificar o Halloween (uma contracção de All Hollows’ Eve – a véspera de Todos os Santos) como produto inventado pelo outro lado do Atlântico tem que se lhe diga.

É verdade que o espectáculo actual com que vemos a noite de 31 de Outubro vai buscar muito às tradições dos Estados Unidos. Não é menos verdade que o embrião de grande parte desse folclore se situa na Europa, sobretudo nos países ditos celtas ou que, pelo menos, sofreram influência celta – isto é, celticizados.

  1. Festa da Cabra e do Canhoto
  2. A Coca e as Tradições de Outubro
  3. Pão por Deus
  4. Procissão dos Mortos

Festa da Cabra e do Canhoto


A festa da Cabra e do Canhoto como inspiração para o Halloween

Sabemos que os celtas dividiam o ano em duas partes – a da noite e do frio, por oposição à do dia e do calor -, e que festejavam o fim de ano por esta altura do campeonato (final de Outubro), na chegada do actual Outono, data a que a língua gaélica deu o nome de Samhain (traduzindo para português, algo como fim do Verão).

Neste dia, 31 de Outubro, a aldeia de Cidões, concelho de Vinhais, enche-se de gente para fazer uma festa que é, no fundo, um resquício desse outro tempo. Bebe-se Queimada Galega, tagarela-se até às tantas, queima-se o Canhoto, e assiste-se à chegada do Diabo.

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A Coca e as Tradições de Outubro


A Coca, uma tradição portuguesa muito anterior ao Halloween

As abóboras de luz não são uma exclusividade americana. Nem sequer são invenção sua. Por cá era costume ancestral talharem-se e alumiarem-se abóboras e cabaças nesta noite misteriosa em que os defuntos subiam ao mundo dos vivos. A abóbora vazia representa o fim da natureza viva, verdadeiro símbolo da morte (as suas semelhanças com uma caveira são óbvias) e, até, como possível resquício de um velho costume celta de expor cabeças de inimigos espetadas em paus. Foi só mais tarde que a Coca desembocou na figura folclórica que é hoje Jack-O-Lantern.

Não tendo a propagação de tempos anteriores, ainda é possível encontrar casas com a Coca bem visível em algumas aldeias do norte e centro-norte.

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Pão por Deus


Pão por Deus, o Trick or Treat português

Se nos Estados Unidos se faz o Trick or Treat (doce ou travessura, traduzindo) há relativamente pouco tempo, a tradição do Pão por Deus, que é praticamente idêntica, conta com uma história difícil de apontar no tempo. Em algumas terras de Portugal, putos juntam-se e batem às portas das casas pedindo presentes – bolos, doces, pão, dinheiro ou qualquer outra coisa que venha a calhar.

Quem não dá este pão por Deus é amaldiçoado com pregões entoados pela criançada, alguns em forma de verso.

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Procissão dos Mortos


Procissão das Almas ou dos Mortos, uma lenda luso-galaica conivente com o Halloween americano

No Minho, aldeias remotas dizem que na noite de 31 de Outubro para 1 de Novembro andam à solta procissões de defuntos – à mesma, os Galegos chamam de Santa Compaña. Conta-se que caminham silenciosamente, descalços e com capotes que lhes cobrem todo o corpo. À frente deste exército de finados segue um vivo, que os lidera. Dirigem-se à casa de alguém e, segundo tradições orais, sempre que a Procissão dos Mortos entra num lar, alguém de lá morrerá muito brevemente.

Crenças que mais uma vez encontram paralelismo com outras situadas em nações ditas celtas, como Gales, Bretanha ou Irlanda.

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